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LEMÚRIA – A Terra de Mú – 40.000 a.C.

O ser humano progrediu nas terras lemurianas, para onde haviam se dirigido as populações de hominídeos, permanecendo por milhares de anos, povoando lugares, mudando-se, sempre em busca de novas fontes de comida e territórios virgens.

Com eles ia a pedra violeta, passada de uma geração a outra.

À medida que os milênios passavam, seus descendentes desbravaram os novos territórios, aprendendo a construir abrigos, criando meios de se comunicar, desenvolvendo ferramentas e armas.
Os humanos evoluíram de coletores para predadores.  O pensamento nasceu, e com ele, a magia.

Foi, então, que eu nasci.

Eu sabia que meu nome era Tii, pois esse era o som com o qual meus companheiros me chamavam.

- Tii, Tii, Tii!

Naquela época, os nomes nada mais eram que artifícios de comunicação – um meio de capacitar os membros da tribo a falar um para o outro.

Eu era regida pelo signo de Peixes, o que me concedeu intensa sensibilidade mediúnica e grande capacidade psíquica. De temperamento emotivo e sensível, lúcida e desenvolvida inteligência, excepcionais inclinações artísticas e irresistível atração pelos mistérios ocultos, desenvolvi meus dons de clarividência, clariaudiência e intuição. 

Foi assim que iniciei a jornada pela Mandala Zodiacal, girando a Roda do Carma, pelas várias vidas que compartilhei.

Mú tornou-se um paraíso tropical e nós acreditávamos que o sol era a nossa energia suprema.

Acreditávamos, também, que o sol de cada um de nós era localizado no nosso “terceiro olho”, o olho invisível que vivia sintonizado em nossas visões interiores.

As mulheres do nosso povo passavam a usar, nessa parte do corpo, uma ametista incrustada, quando completavam 15 anos; e desenvolviam completamente suas habilidades extra-sensoriais.

Livres de doenças, vivíamos mais de cem anos, e por causa de mais de 40.000 anos de prática e experimentação, nós éramos mestres em telepatia, viagem extra-corpórea, telecinesia e teletransporte, e sabíamos conversar com os animais. Nossos olhos eram enormes, o que favorecia a visão periférica.

Éramos uma sociedade matriarcal, vegetariana, voltada para a agricultura, vida ao ar livre, que trabalhava em harmonia com a natureza, usando pouca ou nenhuma tecnologia.

Usávamos as ondas de alta-freqüencia, energia solar e a energia dos cristais de quartzo em nosso dia-a-dia e em nossos rituais.

Amuletos cobriam nossos corpos, não para ornamentação, mas para magia ritualística, já que os orifícios corporais, como as narinas e orelhas, deviam ser guardados contra a invasão de espíritos malignos.

Por falar em ritual, me lembro do dia de meu acasalamento com um macho de nossa tribo. Os sábios, mais velhos, nos tiraram tudo o que possuíamos: nossas roupas, comida, casas e ferramentas. Fomos mandados para as florestas por um ciclo completo da Lua (28 dias). Durante esse tempo, tivemos que construir nosso abrigo, fazer nossas próprias roupas, cultivar e cozinhar nossa comida, com instrumentos por nós fabricados, e tudo isso sem queixas ou brigas entre nós. Somente quando o prazo terminou e passamos no teste, é que pudemos nos casar e nos foram devolvidas todas as nossas coisas.

Durante milhares de anos, esse continente cumpriu sua tarefa, completando o ciclo evolutivo do homem, promovendo o desenvolvimento do nosso intelecto, já embrionariamente existente.

A princípio, nós possuíamos corpos físicos. Entretanto, com o desenvolvimento das percepções extra-sensoriais, preferíamos permanecer quase que o tempo todo em estado latente, meditativo, fora do corpo, sem nunca termos, com isso, completado nossa tarefa primordial que era a de desenvolver totalmente o corpo orgânico. Falhamos, portanto, na importante tarefa de nos tornarmos seres humanos perfeitamente desenvolvidos no mundo físico.

A clarividência era um dos nossos dons mais ativos. E a ametista nos facilitava ver as várias espécies de criaturas elementais, devas e espíritos da natureza, que viviam ao nosso redor.

Os duendes, por exemplo, eram pequenos anões de mais ou menos 30 cm de altura, ligados ao elemento terra e que geralmente conseguiam controlar imprevistos da natureza. Adoravam comer e fazer brincadeiras, tais como esconder objetos. Alguns possuíam orelhas grandes e pontudas e grande quantidade de pelos no corpo. Quando confiavam nos homens, se tornavam fiéis e grandes protetores.

Os gnomos eram os guardiões dos minerais, com capacidade de lidar com cristais energéticos e contando estórias de locais cheios de ouro, ao final do arco-íris. Alcançavam, no máximo, 1 metro de altura e possuíam grandes narizes redondos, olhos aguçados e longos cabelos, que chegavam, facilmente, a se arrastar no chão quando não eram cortados.  Possuíam pele cinza, e cabelos violetas, azul, vermelho, até mesmo brancos.

As ondinas eram os elementais da água, os silfos eram os elementais do ar e as salamandras, os elementais do fogo.

As fadas eram ligadas à terra e ao ar. São pequenas e ágeis e irradiam um brilho luminoso. Por serem leves e sutis são capazes de realizar trabalhos minuciosos. Voam com graciosidade e beleza pelas florestas e rios, trazem consigo a magia e enchem nosso mundo de sonhos. 

Voltando à minha vida como Tii, nosso poder de ver no tempo futuro, nos ajudou muito em nosso mais importante confronto.

Sabedores de nosso destino, tentamos modificar a linha dos acontecimentos, mas isso só fez adiar o problema. O fato em si não se alterou.

Os sábios e profetas de Mú, com a ajuda de nossas mulheres clarividentes, começaram a se conscientizar de que alguma coisa tinha que ser feita. A Terra ia passar por um momento dramático, um cataclisma, uma inundação. Era muito importante que todo o nosso conhecimento fosse preservado. Então, por 2.000 anos, nós nos preparamos para o tal acontecimento. Passamos nossos conhecimentos para todos os que podiam recebê-los, de forma que dificilmente fossem esquecidos.

Os sábios também começaram a desenhar mapas detalhados de todos os túneis subterrâneos que existiam no planeta, e planejaram fazer nosso povo descer a esses túneis quando fosse a hora certa, o que aconteceu aproximadamente um ano antes da Grande Inundação.

Estima-se que 64 milhões de almas tenham perecido quanto o continente afundou. As ilhas do Pacífico são os vestígios dessa terra perdida.

Os sobreviventes, e entre eles, eu, Tii, quando as águas baixaram, voltaram à superfície e encontraram nossas terras divididas em várias partes.

Voltamos a nos organizar e a colonizar os novos continentes, formando a única raça realmente terrestre, a Raça Vermelha, que atualmente são os índios norte-americanos.  Éramos seres fortes, de estatura elevada, testa recuada, e queixo imberbe.  O cabelo era longo e emaranhado.  Pequenas tatuagens pontuavam braços e pernas.  E passávamos nossos registros sagrados por tradição oral, como os índios fazem até os dias de hoje.